23/02/2018

Tendência mundial, aumento na tributação da carne deve ser estudada de acordo com a realidade brasileira, afirma especialista

De acordo com relatório recente da FAIRR (Farm Animal Investment Risk and Return), a carne deve ter sua carga tributária aumentada assim como acontece com outros produtos que causam impacto à saúde ou ambiental, como tabaco e bebidas alcoólicas. A medida já é estudada em países como a Alemanha. Ao redor do mundo, 180 países taxam o tabaco, enquanto 60 implementaram imposto sobre emissões de carbono, com motivação diretamente ligada às mudanças climáticas. No Brasil, ainda não há medida no sentido de aumentar o imposto sobre a carne, mas a estratégia é tendência global para os próximos anos, segundo especialistas. A sobretaxa aparece como alternativa para que os governos aumentem a arrecadação. No entanto, as consequências para a rotina da população devem ser notadas. De acordo com o advogado especialista em Direito Tributário do Marins Bertoldi Advogados, Carlos Dutra, aumentar o tributo sobre a carne pode restringir o acesso de grande parte das pessoas a um produto que é parte importante na nutrição da grande maioria da população. “Sobretaxar a carne teria reflexo direto sobre as classes mais baixas”, complementa. Dutra afirma que, em geral, ainda que a tributação dos produtos agrícolas pelo IPI seja baixa, a carga tributária atualmente assumida pelos produtores rurais chega a quase 30% da renda do agricultor. Ainda que concorde com a importância de se utilizar o tributo como mecanismo de indução de comportamento, ele frisa que o Brasil tem uma realidade diferente dos países onde a medida está sendo discutida. “É essencial que seja realizado um amplo e completo estudo acerca de todos os impactos econômicos, ambientais e sociais antes de qualquer medida tributária”, explica.

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05/01/2018

A reforma tributária e a igualdade social

  Inicialmente para se entender melhor o que pretende a reforma tributária, buscamos analisar os pressupostos e os objetivos buscados com a reforma. O texto publicado pelo próprio autor da reforma tem como pressupostos básicos e diretrizes do modelo tributário a “Manutenção da carga tributária global”, “Distribuição da arrecadação entre Municípios, Estados e União” e “Definição de um período de transição”. A reforma também visa uma série de objetivos como aumento anual de 1% do PIB por um período de 10 anos, simplificação do sistema de arrecadação sobre o consumo, manutenção da carga tributária e um modelo similar ao adotado nos países europeus. Para entendermos melhor o sistema tributário brasileiro precisamos nos desapegar de alguns vícios comuns: a discussão em relação à carga tributária nacional e a destinação dada à verba pública pelos entes federativos. De fato, nossa carga tributária subiu consideravelmente nas últimas décadas, passando de uma média de 27% do PIB nas décadas de 70 e 80 para os atuais 32% em meados da década de 90 até os dias atuais. No entanto, países como Dinamarca, França, Itália e Alemanha possuem carga tributária superior à 40%; assim como Canadá, Japão, México, Reino Unido e Argentina também possuem carga tributária próxima à 30%. Outros países, no entanto,  como China e Chile, possuem carga tributária abaixo de 20%. O que se pretende demonstrar aqui é que existe uma grande dificuldade em se determinar qual deveria ser a carga tributária aceitável à realidade brasileira, isso porque, existem outras centenas de fatores econômicos determinantes nessa equação. Isso mostra que a carga tributária não é determinante para a reforma tributária proposta que, por sinal, é clara no sentido de preservar a manutenção da carga atual. Superada a questão relacionada à carga tributária, um panorama interessante sobre as fontes de arrecadação no atual sistema tributário nacional se refere às fontes de arrecadação. O gráfico a seguir foi montado considerando os valores divulgados para o ano de 2015 em estudo realizado pela própria Receita Federal: O combate à regressividade do nosso sistema tributário é, arriscamos dizer, o ponto crucial de qualquer reforma tributária que pretende ser inclusiva e redutora de desigualdade social, e a esse tema deve ser dedicada máxima atenção.
Por outro lado, identificamos uma baixa arrecadação sobre a propriedade. Isso demonstra um sistema tributário que favorece a concentração de riquezas, em contrapartida à limitação do poder aquisitivo das pessoas, por meio da redução drástica de salário e renda e o aumento no custo dos bens e serviços. Outros pontos de extrema importância estão relacionados a questões de natureza operacional, como normas e prazos referentes à recuperação/restituição de créditos tributários e a redução do número de obrigações acessórias a que estão submetidas as empresas. Ainda, considerando o atual cenário de automatização dos dados fiscais e da arrecadação dos tributos, nos questionamos se faz sentido a manutenção de regimes tributários para a antecipação do pagamento, nos moldes do regime de substituição tributária e dos regimes monofásicos de tributação concentrada. Esses mecanismos de arrecadação, ao lado de um conjunto enorme de obrigações acessórias e à confusa legislação tributária, colocaram o Brasil no topo do ranking dos países nos quais as empresas mais gastam horas para se adequar à lei tributária. De acordo com o ranking do Banco Mundial, o Brasil ocupa a 183º posição, ou seja, ou último lugar, com 2.600 horas anuais apenas para apurar e arrecadar tributos. Em média, as empresas estabelecidas na América Latina gastam 503 horas para pagar tributos. A tarefa do relator da proposta, o deputado Luiz Carlos Hauly, realmente não é fácil, por isso é necessário que se continue o amplo debate com a sociedade e que se atente para a necessidade de uma reforma tributária efetivamente igualitária, menos complexa e que insira o contribuinte como peça fundamental no sistema de financiamento da máquina estatal. Por fim, cabe sempre destacar que nenhuma reforma tributária será eficiente no Brasil sem antes passarmos por um intenso processo de reforma política e de redução dos gastos públicos. Mateus Adriano Tulio – Coordenador Tributário no Marins Bertoldi Advogados *Artigo publicado pela Gazeta do Povo      

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21/12/2017

A “derrama fiscal” e o reflexo tributário

Em um período permeado por uma crise econômica que insiste em assolar a economia nacional, o Paraná tem se destacado no cenário nacional pelo trabalho desenvolvido pela Secretaria de Fazenda, que conseguiu manter positivas as contas estaduais. Por outro lado, o ajuste fiscal realizado resultou no aumento de carga tributária, especialmente sentida pelas empresas enquadradas no Simples e que devem novamente ser impactadas se for aprovado o Projeto de Lei no 557. Encaminhado em setembro deste ano pelo governador Beto Richa, o projeto põe fim às alíquotas reduzidas implementadas em 2007 pelo ex-governador Roberto Requião. Na esfera federal também percebemos uma intensificação da fiscalização, sendo que diversas empresas foram, ao longo deste ano, excluídas do regime do Simples, decisão baseada numa política mais apurada de prevenção à evasão fiscal. Em razão disso é realmente muito importante que as empresas avaliem até quando é realmente vantajoso tributariamente manter-se em determinado nível de informalidade ou até mesmo manter-se no SIMPLES. No âmbito municipal, o prefeito Rafael Greca também encaminhou projeto de Lei para a alteração da legislação tributária. Parte do projeto propõe o fim de algumas isenções do Imposto sobre Serviços (ISS). Embora a proposta também tenha sido denominada de “derrama fiscal” pelos veículos de comunicação, ela possui algumas atenuantes. Vale destacar que os municípios têm até o dia 30 de dezembro deste ano para revogarem todo e qualquer benefício fiscal que resulte em carga tributária de ISS inferior a 2%, a exemplo das isenções. Tal prerrogativa decorre das alterações promovidas pela Lei Complementar nº 157/16, que altera a legislação do ISS. O não cumprimento dessa medida constitui ato de improbidade administrativa dos prefeitos e vereadores. Além do ISS, também o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) foi alvo da política de aumento de arrecadação do Município. Evidentemente que a crise econômica impõe a todos o seu preço, mas é sempre importante destacar que qualquer medida de ajuste fiscal deve necessariamente vir acompanhada de uma revisão interna por parte dos governos (estadual, municipal e federal). O contribuinte não pode ser responsabilizado pela má gestão da verba pública, pelos desvios financeiros ou mesmo sujeitar-se a uma carga tributária impraticável. Os governos correm o risco de esgotar a sua própria fonte de financiamento. Mateus Adriano Tulio – Coordenador Tributário no Marins Bertoldi Advogados *Artigo publicado pelo jornal Gazeta do Povo

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03/07/2017

Programa Especial de Regularização Tributária ainda gera incertezas entre contribuintes

Foi publicada em junho, em Diário Oficial, a Instrução Normativa (IN) nº 1711, que regulamenta o procedimento para adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), criado pela Medida Provisória (MP) 783/217, para os débitos junto à Receita Federal vencidos até 30 de abril de 2017. Segundo disposição legal da IN, os contribuintes – pessoa física ou jurídica de direito público ou privado, inclusive aquelas em recuperação judicial – terão de 03 de julho a 31 de agosto para incluir no programa os débitos constituídos ou não, provenientes de parcelamentos anteriores rescindidos ou ativos ou em discussão administrativa ou judicial, administrados pela Receita Federal. Ainda, a IN ratificou o texto da MP e vedou a inclusão no PERT dos débitos referentes a tributos passíveis de retenção na fonte, aqueles provenientes de decisões administrativas definitivas de sonegação, fraude e conluio, além dos débitos de pessoa jurídica com falência decretada ou pessoa física com insolvência civil decretada. Como novidade, veio a proibição da inclusão no programa dos débitos provenientes de incorporadoras optantes do Regime Especial Tributário do Patrimônio de Afetação e de empresas optantes pelo Simples Nacional. Com relação ao Simples Nacional, o STJ já possui um entendimento pacificado de que parcelamentos desse tipo de débito somente poderão ser promovidos por meio de Lei Complementar, como aconteceu com a 155/2016, que criou programa para pagamento em 120 vezes. No que se refere a parcelamentos anteriores, a IN traz a previsão de que saldos remanescentes poderão ser parcelados novamente, porém, que sua inclusão poderá implicar em perda de todas as eventuais reduções aplicadas sobre os valores já pagos, levando em consideração a legislação específica de cada programa. Vale destacar que a IN dedicou um parágrafo inteiro, do capítulo ligado à desistência de parcelamentos anteriores em curso, para falar exclusivamente do PRT, programa de parcelamento anterior ao PERT, que não foi convertido em lei e teve vigência até 31 de maio. Por estar nesse capítulo, o PRT é tido como qualquer outro parcelamento anterior, ou seja, que seu saldo remanescente poderá ser incluído no PERT, indicando, inclusive, que os pagamentos efetuados migrarão automaticamente para o novo programa. Contudo, essa previsão traz alguns problemas, haja vista que não se sabe como esses pagamentos poderão ser aproveitados no PERT, já que muitos contribuintes, para aderir ao PRT, precisaram dar entrada de 20% da dívida consolidada, por exemplo. Assim, não está claro se os valores já pagos serão aproveitados como entrada para uma das modalidades com benefício do PERT, ou se esse valor será apenas abatido da dívida e, para aproveitar dos benefícios trazidos pelo PERT, o contribuinte precisará desembolsar mais uma quantia expressiva de entrada (20% ou 7,5% do débito consolidado) para adesão à modalidade do inciso III, art. 2º, da MP 783. Nessa modalidade, o contribuinte irá contar com descontos de 90% de juros de mora e 50% de multas de mora, de ofício ou isoladas. A Instrução Normativa, assim como a Medida Provisória, previu as mesmas implicações para a exclusão do contribuinte do programa, tais como o pagamento regular do parcelamento e dos débitos vencidos após 30 de abril, cuja falta de regularidade corresponde à ausência de pagamento de três parcelas consecutivas ou seis alternadas. Todavia, o mais importante foi a regulamentação das consequências da exclusão do contribuinte do programa, que terá o restabelecimento dos valores liquidados com os créditos de prejuízo fiscal, base negativa de CSLL e demais créditos administrados pela RFB, apuração do valor original do débito com acréscimos legais até a data da rescisão, com dedução das parcelas pagas em espécie, sobre as quais incidirão acréscimos legais até a data da rescisão. Por fim, vale ressaltar que o contribuinte excluído do PERT poderá apresentar recurso administrativo no prazo de 10 dias da notificação via e-CAC, com efeito suspensivo, a fim de discutir as razões que levaram à sua exclusão, sendo obrigatório continuar recolhendo as prestações até a decisão em definitivo. Eduardo Francisco de Souza Gomes – advogado especialista em Direito Tributário do escritório Marins Bertoldi Sociedade de Advogados.    

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25/04/2017

Reabertura do Regime de Regularização de Recursos no exterior – o que esperar?

Existem diferenças entre o Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT) atual e o realizado em 2016. No regime deste ano, é permitida a participação do espólio aberto até a entrega da Declaração de Regularização Cambial e Tributária (DERCAT). No regime anterior, só era permitida a participação do espólio aberto até 31 de dezembro de 2014. Além dessa novidade, pode-se destacar a diferença na cotação do dólar para conversão dos bens em reais: no RERCT aberto em 2016 a taxa de dólar era mais favorável, uma vez que era de R$ 2,66, no regime instituído em 2017 a taxa para conversão do dólar é de R$ 3,21. Outra importante novidade é a possibilidade de complementação da DERCAT enviada, sem exclusão definitiva do regime especial. Isso porque, no regime aberto em 2016 caso fosse identificado que o contribuinte declarou equivocadamente os valores dos bens haveria a exclusão definitiva do regime, inclusive, com perda da anistia aos crimes tributários. O novo programa também prevê alíquotas de 15% referente ao Imposto de Renda (mesma alíquota do programa anterior) e 20,25% de multa, ou seja, agora para regularização o valor da multa corresponde a 135% do valor do imposto pago. No programa anterior esse percentual correspondia a 100%. Durante o regime de 2016, foram percebidas diversas dificuldades enfrentadas pelos contribuintes, entre as principais pode-se destacar: dificuldade em levantar a documentação dos bens para realização dos cálculos e comprovação da origem; empresas offshore que não tinham balanço patrimonial atualizado e não possuíam tempo hábil para sua elaboração; retificações das declarações do IRPF e envio da declaração do Banco Central, para que essas declarações demonstrem a realidade dos bens declarados na DERCAT, bem como dificuldade na obtenção com os bancos da emissão do SWIFT, documento obrigatório por lei para declarantes que possuem um patrimônio maior de USD 100.000,00 e para os detentores de trust. Além disso, houve obstáculos na identificação dos reais beneficiários em casos de trust; dificuldades no fechamento do câmbio em casos que o cliente optou por trazer o dinheiro do exterior para realizar o pagamento do tributo, em razão de problemas de compliance nos bancos; insegurança com relação ao pagamento e declaração da foto (situação patrimonial em 31 de dezembro de 2014) e filme (toda a movimentação dos ativos desde o envio para o exterior) e acompanhamento e recolhimento do imposto referente ao ganho de capital de resgate de aplicações financeiras e do imposto de renda referente ao recebimento de dividendos pelas pessoas físicas, o que exige do contribuinte o recolhimento todo mês, para não ter acréscimo de juros e multa. Também é importante esclarecer a diferença entre a regularização quando os bens no exterior são detidos por uma empresa offshore ou diretamente por uma pessoa física residente no Brasil. A principal diferença consiste no fato de que, para as pessoas físicas, qualquer recebimento de dinheiro no exterior, ainda que não seja utilizada pelo titular, está sujeito a recolhimento do Imposto de Renda, por meio da utilização da tabela progressiva – carnê-leão. Ainda, quando o contribuinte resgata um ativo ou aplicação financeira, mesmo que seja para fazer um novo investimento, esse resgate está sujeito ao recolhimento do imposto de renda a título de ganho de capital. Enquanto no caso dos ativos em nome de empresa offshore – pessoa jurídica, apenas será devido o imposto no Brasil quando restar configurado recebimento de dividendos ou remuneração para o sócio. Tal diferença tende a ser bastante vantajosa para os contribuintes que fazem várias movimentações nos seus investimentos, uma vez que não há necessidade de recolhimento do ganho de capital no resgate de aplicação para realizar um novo investimento. Artigo publicado pela Gazeta do Povo

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19/08/2016

Simpósio discute direito tributário em Maringá

Em um período de instabilidade política e econômica, a responsabilidade fiscal e o direito tributário ganham ainda mais destaque. Compreender as normas que regem a cobrança e o pagamento de tributos é fundamental a qualquer cidadão ou empresa. Essas normas serão discutidas este mês no II Simpósio Nacional de Direito Tributário de Maringá. Entre os debatedores está o advogado James Marins, especialista no tema, integrante da Academia Brasileira de Direito Tributário (ABDT) e sócio fundador do Marins Bertoldi Advogados Associados. O evento é promovido pelo Instituto de Direito Tributário de Maringá (IDTM) e Comissão de Direito Tributário da OAB Maringá e vai contar com a presença de alguns dos maiores juristas do país, que vão comentar as novas questões que envolvem a legislação tributária brasileira. O tema do talk-show do qual o advogado participa é “Reflexos do Novo CPC no Processo Tributário”, que contará com a presença de outros advogados tributaristas de renome discutindo o novo Código de Processo Civil, como Fabiana Del Padre Tomé e Octávio Campos Fisher. Paralelamente ao simpósio, acontece o I Encontro de estudos Tributários, com apresentação de artigos selecionados. Mais informações pelo e-mail: contato@idtm.org.br II Simpósio de Direito Tributário de Maringá Data: 23 e 24 de agosto Horário: das 8h30 às 18h30 Local: Auditório D. Guilhermina Endereço: Av. Tiradentes, 710 – Centro. Maringá/PR

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03/06/2016

Estamos no limite – tributação em 2016

O Brasil vive hoje uma das piores crises políticas de toda a sua história. A séria crise econômica que a acompanha, sendo sua causa ou efeito, é uma realidade. Podemos perceber que o Estado, como ente jurídico, em suas ações conjunturais, além de não contribuir ao desenvolvimento do país, ao contrário, cria obstáculos para que as relações sociais e econômicas se desenvolvam por si. Demonstra, de forma inequívoca, seu apetite interventor. Como alternativa para solucionar a crise fiscal que atravessa, o Governo (em suas três esferas) tem optado pelo aumento da carga tributária. O objetivo de tais medidas, ao que parece, é o consequente aumento da arrecadação e, com isso, a cobertura do rombo da dívida pública e guarida aos investimentos necessários para que o País volte a andar. Difícil de aceitar a opção que vem sendo adotada. Essa alternativa expõe de forma extrema a ineficiência estatal que absorve boa parte dos recursos arrecadados por meio dos tributos sem entregar ao cidadão a devida contrapartida que viria de uma eficiente prestação de serviços públicos. Hoje no Brasil quase 40% do que se produz é destinado ao Estado através dos tributos. Não há dúvidas de que o limite de nossa carga tributária já extrapolou o aceitável. O que motivaria o cidadão a investir, seja em seu próprio negócio, ou no próprio mercado, sabendo que uma parcela relevante do seu esforço, risco, dedicação, investimento, será destinado, de forma compulsiva, a sustentar a ineficiência do Estado? Quando essa questão começa a tomar relevância no dia a dia é um péssimo sinal, e isto já vem acontecendo de longa data. Nota-se um nítido movimento de desestímulo ao investimento, travando a geração de riqueza, principalmente porque quem tem capacidade de fomentar novos negócios observa que seu trabalho premia a ineficiência. Atividade empreendedora e ineficiência não combinam. Não prosperam, não existem meios racionais que justifiquem o emprego da força de trabalho e do empreendedorismo em situações que reflitam uma flagrante falta de perspectiva de crescimento, de evolução. Muito pelo contrário o cenário que se mostra é de retrocesso. Num cenário como esse, o que esperar, no âmbito tributário, do ano de 2016? Infelizmente as notícias não são nada animadoras: – O provável aumento do imposto de renda sobre ganhos de capital, com seus nefastos efeitos sobre a geração de novos negócios e transações envolvendo a compra e venda de empresas. – Uma tão falada simplificação do PIS/COFINS, que, pelo que se observa das manifestações oficiais, de facilitação à apuração e recolhimento não tem nada, já que além de continuarem complexos, esses tributos sofrerão aumento da carga. – No âmbito dos estados de Federação, os incrementos de alíquota de ITCMD (tributo que incide nas doações e na transmissão das heranças) e o aumento real do ICMS em mais de 90% dos produtos. – O impasse do ICMS nas vendas diretas a consumidor final, fruto de alteração legislativa vigente desde janeiro último, que ao invés de gerar apenas repasse de parcela do imposto de um estado para outro, como os Secretários de Fazenda Estaduais insistem em alardear, vem motivando o encerramento muitas empresas do setor de comércio eletrônico. – Para fechar com chave de ouro, a possível volta da CPMF. Tributo cumulativo, regressivo, altamente inflacionário e que estimula a inércia da sociedade, já que incide sob a movimentação financeira, ou seja, se ficar com seus recursos financeiros ficarem inertes, não há contribuição a ser recolhida. Ótima alternativa para um momento em que a busca é pelo incremento da atividade econômica. Talvez aqui esteja o maior exemplo e estimulo a ineficiência, não movimente seus recursos. O problema é que teimamos em não atacar e resolver o problema e sim achar alternativas políticas com soluções paliativas passando a impressão de que os problemas estão sendo resolvidos quando na verdade são apenas postergados. O reflexo dessas medidas já começam a dar seus sinais, baixa na arrecadação em Janeiro, empresas brasileiras trocando investimentos no Brasil por outros países, inclusive na própria América do Sul, fuga do investimento estrangeiro. Sinais claros de que o caminho adotado não trará o resultado esperado. Como se observa, trata-se de um cenário prospectivo bastante preocupante. Isso sem contar todas outras medidas de ajuste (eufemismo para aumento) da carga tributária já adotadas em 2015 e que terão um reflexo significativo em 2016, com destaque para a revogação de uma série de incentivos fiscais setoriais e o retorno da cobrança do PIS e da COFINS sobre rendimentos financeiros, tributados á alíquota zero desde 2005. Enfim, apesar do discurso oficial dissonante, é fato que não há mais espaço para todo esse incremento da carga tributária que, como mencionado acima, pode, inclusive, não se reverter em aumento da arrecadação. Por outro lado, é claro que há espaço para corte de gastos públicos, mas daí faz-se necessário tratar de privilégios de uma pequena minoria vinculada ao poder, e isso, ao que parece, não é do interesse dos nossos governantes. O Brasil somente começará a corrigir sua rota quando todos entenderem que o Estado é necessário para garantir o básico e que riqueza deve ser gerada pela inciativa privada, pelo trabalho, pelo esforço, pelo empreendedorismo. Hugo Sellmer, advogado tributarista no Marins Bertoldi Advogados Associados

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09/11/2015

Avalanche tributária – As alterações legislativas que aumentarão significativamente a carga tributária

AVALANCHE TRIBUTÁRIA – AS ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS QUE AUMENTARÃO SIGNIFICATIVAMENTE A CARGA TRIBUTÁRIA Medidas anticrise e os impactos na tributação – As principais alterações na carga tributária das empresas Retrospectiva 2015 Impactos na tributação a partir de 2016 Emenda Constitucional nº 87/2015 – Como fica o ICMS nas operações não presenciais? Outras discussões para 2016 e medidas para evitar ou minimizar o aumento de carga tributária

Palestrantes

Emerson Albino
Advogado, sócio do escritório Marins Bertoldi Advogados Associados, Economista  e Especialista em Direito Tributário pela Unicuritiba. Consultor tributário com forte atuação no desenvolvimento de planejamentos tributários. Professor de “Planejamento Tributário” no curso de pós-graduação em Direito e Processo Tributário na Universidade Positivo, membro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC e diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade – ANEFAC. Hugo José Sellmer
Advogado do escritório Marins Bertoldi Advogados Associados – Advogado pela Faculdade de Direito de Curitiba. Iniciou sua carreira como consultor tributário em firmas internacionais de auditoria, atuando principalmente na área de impostos diretos com foco em consultoria tributária, planejamento tributário e contenção de riscos. Atua como coordenador da área de impostos diretos. Mateus Adriano Tulio
Advogado do escritório Marins Bertoldi Advogados Associados – Advogado pela Faculdade de Direito de Curitiba. Iniciou sua carreira em São Paulo como consultor tributário em firmas internacionais de auditoria, atuando principalmente na área de impostos indiretos com foco em consultoria tributária, planejamento tributário e contenção de riscos. Atua como coordenador da área de impostos indiretos.

Data, Local e Horário

Sexta-feira, 20 de novembro de 2015 das 8h30 às 12h00 Local: Sala de Eventos da Confeitaria Saint Germain do Ecoville
End: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 2748 – Bairro Ecoville – Curitiba – PR
*Estacionamento gratuito no local 8h30 às 9h00: Welcome Coffee
9h00 às 10h00: Workshop
10h00 ás 10h20: Coffee break
10h20 ás 12h00: Workshop e espaço para perguntas e discussões

Inscrições

R$ 65,00  Faça o download da ficha de inscrição no link abaixo e envie preenchida juntamente com o comprovante de depósito para o e-mail ahkcuritiba@ahkbrasil.com. FICHA DE INSCRIÇÃO

Informação para depósito

Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha – CNPJ: 62.319.785/0002-06 Banco do Brasil – Agência: 1869-4 – C/C 2022-2 Banco Bradesco – Agência 2006-0 – C/C:4350-8 Informações
(+55 41) 3323-5958 / ahkcuritiba@ahkbrasil.com
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